Mãe diz em texto sofrer com preconceito por dieta vegana do filho

Por Yuri Gonzaga

Justo na semana que fecha com o Dia das Crianças, neste domingo (12), uma jornalista do jornal britânico “Guardian” publicou um texto em que desabafa sobre as dificuldades que enfrenta ao falar com outras pessoas sobre a dieta livre de ingredientes de origem animal de seu filho pequeno, vegano desde os dois anos e meio de idade.

“Alimentar meu pequeno vegan vem sendo bastante simples; a parte difícil é lidar com a desinformação e com o preconceito de outras pessoas”, escreveu a jornalista de saúde e bem-estar do periódico inglês Sarah Campbell. “Dizer que você tem uma criança vegana é ver sua credibilidade como mãe ser imediatamente questionada.”

Campbell conta que cortou os ingredientes de origem animal da sua alimentação –apesar de ser uma grande fã de queijo– juntamente ao fazê-lo com o filho, e que ficou assustada com a reação das pessoas. “Simplesmente não estava preparada para tamanha hostilidade.”

Infelizmente, diz, passou a se esquivar de conversas sobre o assunto, mentindo sobre a alimentação de seu filho, cuja dieta ela planeja conforme as tabelas de nutrição recomendadas para cada idade por autoridades em saúde e por orientação médica.

“Passei a dizer que, apesar de vegana, meu filho era ovolactovegetariano, uma pequena mudança que pareceu fazer toda a diferença”. Ela disse ter posteriormente ter descoberto que outros pais veganos usam da mesma tática.

 

Um "bentô" vegano do site Bento Zen
Um “bentô” vegano do site Bento Zen (Flickr.com/gamene)

 

Antes de ter-se tornado vegana, conta Campbell, a alimentação de seu filho era composta numa frequência “ligeiramente alta demais” por itens de fast food, como “nuggets”.

“Valer-me de uma dieta rica em carne e laticínios fez com que me tornasse uma mãe pouco diligente, achando que meu filho estava sendo alimentado com tudo o que precisava, mas não me vinha à cabeça à ideia de que havia excesso”, escreve. “Depois de virar vegana, me entreguei completamente à missão de tomar as melhores decisões alimentares possíveis para ele.”

Foto: Flickr.com/radocaj
Foto: Flickr.com/radocaj

A pressão da publicidade das redes de fast food e de marcas de “junkie food”, a organização dos supermercados e a persuasão escandalosa dos gritos de seu pequeno filho eram fatores que colaboravam para uma nutrição desregrada dele.

“Tinha todos os fatos na mão e tomei uma decisão, considerando os aspectos de saúde, ambientais e éticos, achei que fosse o melhor para meu filho”, disse. Os detratores questionam a quantidade de proteína, ferro e de vitamina B12 ingeridos pelo menino. “Sobre a minha nutrição, tudo era aceito; já a informação sobre a do meu filho era tratada como suspeita e potencialmente falsa.”

Campbell questiona o que considera um apego intolerante à tradição das pessoas que não conseguem aceitar que a criança viva sem carne, leite ou ovos. “Isso numa sociedade focada em individualismo, rica em diversidade e multiculturalismo.”