Queijo vegano que derrete chega em julho por R$ 19 ao vendedor em SP

Por Yuri Gonzaga

A recém-divulgada novidade da marca de produtos vegetarianos paulistana Superbom, seu primeiro queijo vegano –que virá em três sabores–, foi recebida com entusiasmo entre os veganos, mas também com um pouco de ansiedade.

Isso porque a empresa divulgou poucos detalhes sobre a composição, a data de chegada e preço do Vegan Cheese. Em entrevista ao “Veg”, contudo, a principal responsável pelo desenvolvimento do produto, Cristina Ferreira, falou sobre seus aspectos mais importantes:

  1. Chega no dia 1º de julho a boa parte dos revendedores da marca, em São Paulo
  2. É feito basicamente de batata e óleo de palma, ainda que também tenha abóbora, maçã e cenoura; livre de conservantes e corantes químicos
  3. Chegará para os revendedores por R$ 38 o quilo, nas embalagens de 500 g, deve sair por mais ou menos a metade (R$ 19); numa situação hipotética e levando em consideração uma margem de lucro de 25%, meio quilo de Vegan Cheese deve sair por pouco menos de R$ 25
  4. Informação nutricional para uma porção de 30 g:

    * 89 kcal (4,5% do valor diário recomendado)
    * 6,4 g de carboidrato (2,1%)
    * 7 g de gordura total (10,7%)
    sendo que 3 g de gordura saturada (15%)
    * 80 mg de sódio (3,3%)

  5. A empresa planeja lançar outras versões: uma light, com menos gordura, e uma “gourmet”, com oleaginosas na composição e, portanto, melhor valor nutricional

 

O Vegan Cheese, que será vendido nos sabores muçarela, prato e provolone, derrete se aquecido, segundo a Superbom (Divulgação)
O Vegan Cheese, que será vendido nos sabores muçarela, prato e provolone, derrete se aquecido, segundo a Superbom (Divulgação)

A empresa diz que o sabor do queijo –que é derretido se esquentado– chegou a enganar os primeiros que experimentaram o produto. “Duvidavam que era vegano.”

Segundo a engenheira química, que é líder do laboratório de pesquisa da Superbom, “a ideia de fazer o queijo veio depois de fazermos pesquisas no mercado”, diz Ferreira. “O nível de intolerância a lactose está muito alto e vem crescendo anualmente, e as pessoas têm dificuldade em substituir o queijo.”

Quem já tentou fazer uma receita de análogo do derivado lácteo em casa sabe que é difícil de acertar. “E isso, em escala industrial, é mais difícil ainda.”

Para chegar à textura final e sua “derretibilidade”, foi desenvolvido equipamento específico para o manejo dos ingredientes, que são submetidos a diferentes pressões e temperaturas. O derretimento é uma das coisas mais legais do queijo, e também uma das mais difíceis de ser replicadas, por estar atrelada à estrutura da caseína e a forma como ela se liga com os demais componentes do queijo.

Uma outra característica mantida semelhante à do queijo de vaca é a possibilidade de ser fatiado sem se desmanchar.

A diferença entre os sabores (muçarela, prato e provolone) são os aromas e a proporção dos concentrados vegetais (maçã, abóbora) empregados. Ferreira diz que isso não altera valores nutricionais.

Para que não perca suas propriedades, o produto precisa ser mantido em temperaturas entre 3ºC e 9ºC, diz Ferreira. E isso gera um problema logístico que fará com que o lançamento atrase para as demais regiões do país.

“A Superbom tem, hoje, um carro refrigerado para a distribuição em São Paulo, capital. Para outros locais, estamos abrindo parcerias”, conta. Há empresas interessadas oriundas de Minas Gerais e Paraná, mas Ferreira aposta que o Rio de Janeiro e Santa Catarina sejam Estados que devam receber o Vegan Cheese em breve.

Um evento de lançamento do queijo (veja banner) será realizado na sede da empresa, que fica na zona sul paulistana, nos dias 12 e 14 de junho.

Empresa diz que lançará versão feita a partir de oleaginosas no futuro (Divulgação)
Empresa diz que lançará versão feita a partir de oleaginosas no futuro (Divulgação)

Apesar de admitir que o queijo vá chegar às prateleiras com preço um pouco superior aos produtos convencionais, Ferreira diz que, eventualmente, um aumento na escala da produção possa fazer cair o custo para a fabricante, o que se refletiria para o consumidor.

“Trabalhamos com a SVB [Sociedade Vegetariana Brasileira] para que nossos produtos já saiam certificados, porque sabemos que interessam tanto aos vegetarianos quanto aos veganos.”

Os derivados lácteos são componentes-chave da indústria da carne relacionada muitas vezes à cruel produção de vitela, além de não se diferenciarem do ponto de vista dos danos ambientais causados pela pecuária.

O consumo de queijo, e o vício nele, é ligado à casomorfina,um opioide derivado da digestão da caseína. Outro fator atrativo ao paladar é a presença de gordura: um queijo muçarela convencional tem 6,6 g de gordura saturada por porção de 30 g, mais que o dobro do queijo da Superbom, mais ou menos o mesmo que um queijo prato tradicional –que, por sua vez, tem 28% mais gordura total que o Vegan Cheese.

Peças de 500 g podem chegar ao consumidor por cerca de R$ 25 (Divulgação)
Peças de 500 g podem chegar ao consumidor por cerca de R$ 25 (Divulgação)