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Blog sobre dieta vegetariana e assuntos relacionados a ela, como dicas de nutrição, é produzido pelo repórter Yuri Gonzaga, que foi ovolactovegetariano entre 2008 e 2010 e é vegetariano estrito desde 2011.

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Veganismo pode poupar milhões de vidas e US$ 1 tri por ano mundialmente, diz Universidade de Oxford

Por Yuri Gonzaga

Uma mudança na dieta da população mundial, com um menor consumo de produtos de origem animal e maior participação dos de origem vegetal, pode reduzir a mortalidade global de 6% a 10% e as emissões de gases-estufa em entre 29% e 70% até 2050 (se o cenário for comparado a uma projeção com as tendências atuais), diz um estudo de cientistas da Universidade de Oxford (Reino Unido).

Segundo os pesquisadores, de um núcleo especializado na evolução da alimentação humana, sob o Departamento de Zoologia da instituição britânica, a adoção generalizada do veganismo pode poupar à economia global entre US$ 1 trilhão e US$ 31 trilhões por ano em gastos relacionados à saúde pública, o que representaria de 0,4% a 13% do PIB do mundo inteiro projetado para aquele ano.

O sistema alimentício [produção, processamento, consumo, rejeito] é responsável por mais de um quarto de toda a emissão de gases-estufa, enquanto dietas pouco saudáveis e gordura corpórea em demasia estão entre os maiores fatores de mortalidade prematura. Quanto menor a participação de alimentos provenientes de animais, maiores serão os benefícios à saúde e ao clima

“Na maior parte do mundo, dietas pobres em frutas e vegetais e ricas em carnes vermelha e processada são responsáveis pelo maior fator de dano à saúde”, disse Marco Springmann, que liderou o estudo, a “The Guardian”.

O estudo foi publicado pelo periódico científico PNAS (Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos EUA, na sigla em inglês).

A pesquisa aponta que 5,1 milhões de mortes prematuras podem ser evitadas até 2020 só com a aplicação das diretrizes alimentícias gerais, feitas por órgãos como a Organização Mundial da Saúde. No caso da adoção generalizada do ovolactovegetarianismo, 7,3 milhões delas seriam prevenidas; com o veganismo, seriam 8,1 milhões.

Para estimar o montante que seria poupado por causa da adoção do vegetarianismo/veganismo, os pesquisadores levaram em consideração os custos governamentais e privados envolvidos no tratamento de doenças causadas pela má alimentação e no impacto econômico sobre os pacientes, seus familiares, empregadores e empregados etc.

Seguindo apenas as diretrizes alimentares, seriam economizados US$ 21 trilhões por ano (cerca de R$ 77 trilhões) se levados em consideração o impacto econômico não só dos custos em saúde, mas também das consequências acarretadas pelas mortes com raiz em dietas ricas em carnes vermelhas e processadas.

Só considerado o gasto com saúde pública, as vantagens das dietas onívora e considerada saudável, vegetariana e vegana seriam, respectivamente, de US$ 735 bilhões, US$ 973 bilhões e US$ 1,07 trilhão.

O cenário de referência é a projeção feita pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) adaptada com ajustes (levando em consideração a porção de alimentos não aproveitáveis e os não aproveitados), segundo os pesquisadores.

A menor emissão de gases-estufa também tem benefícios econômicos, evidentemente difíceis de mensurar. A estimativa dos cientistas é que a dieta onívora saudável teria um impacto de US$ 234 bilhões nesse sentido, ante US$ 511 bilhões da vegetariana e US$ 570 bilhões da vegana.

As mudanças necessárias não seriam pequenas. O consumo global de frutas a fim de seguir uma dieta de acordo com as recomendações da OMS teria de ser expandido em 25% (na América Latina, 39%); para seguir a dieta vegetariana, teria de ser 39% maior; na vegana, 54% maior. O consumo de leguminosas teria de ser 324% superior nas três dietas.

Impacto econômico projetado para 2050 em relação à de dietas onívora e saudável (HGD); ovolactovegetariana (VGT); e vegana (VGN). Eixo y (vertical) em trilhões de dólares (Reprodução/pnas.org)
Impacto econômico projetado para 2050 em relação à de dietas onívora e saudável (HGD); ovolactovegetariana (VGT); e vegana (VGN). Eixo y (vertical) em trilhões de dólares. SCC representa a economia derivada da menor emissão de gases-estufa; “Direct CoI”, custo direto de doenças, é a economia derivada da pressão exercida sobre o sistema de saúde pública por pessoas enfermas graças à dieta; “Total CoI” é “Direct CoI” somada ao impacto indireto por essas pessoas não saudáveis, como os dias em que elas ou que parentes têm de faltar ao trabalho e a perda de produtividade (Reprodução/pnas.org)

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