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Blog sobre dieta vegetariana e assuntos relacionados a ela, como dicas de nutrição, é produzido pelo repórter Yuri Gonzaga, que foi ovolactovegetariano entre 2008 e 2010 e é vegetariano estrito desde 2011.

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Estudo diz que vegetariano pode causar mais dano ambiental e cria polêmica

Por Yuri Gonzaga

Um estudo publicado pela Universidade Carnegie Mellon (EUA) na segunda-feira passada (14) contradisse o que relatórios e pesquisas anteriores, inclusive de órgãos como a ONU, haviam proposto: segundo o artigo, as dietas livres de ingredientes de origem animal causariam potencialmente mais danos ecológicos que as carregadas em carne.

A premissa do estudo, assinado por Chris Henderson, Michelle Tom e Paul Fischbeck, da Faculdade de Engenharia, é que os vegetais têm uma “pegada de carbono” superior quando levada em consideração só sua densidade calórica.

Em outras palavras, como diz o subtítulo da notícia que anuncia o estudo, “alface é mais que três vezes pior em [emissão de] gases-estufa do que bacon”.

Isso gerou uma imediata reação de ativistas como os da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira) e do site Vista-se, para mencionar brasileiros.

O estudo não foi tão criticado quanto a abordagem que lhe foi dada –vale dizer que a própria universidade deu enfoque sensacionalista ao artigo, aparentemente com o aval de ao menos um dos pesquisadores, que fez a esdrúxula comparação entre a hortaliça e toucinho.

É claro que um alimento composto em grande parte por gordura tem uma “vantagem” calórica grande sobre os demais, já que cada grama de lipídios tem em si nove calorias, ante as 4 kcal/g de carboidratos e proteínas. Rica em fibra alimentar (0 kcal) e água (0 kcal), a alface é carregada de micronutrientes, assim como são muitos dos vegetais.

(Um relativamente famoso índice de densidade nutricional, intitulado ANDI, faz uma razão entre a quantidade de micronutrientes sobre as calorias de alimentos e, claro, carnes estão longe de ser bem-posicionadas)

Entre os pontos levantados pelo departamento de meio ambiente da SVB no artigo que rebate o estudo estão:

  • A pesquisa leva em consideração primordialmente a produção de frutas e vegetais na Califórnia, Estado em que, dadas as condições climáticas, a agricultura exige irrigação intensiva
  • “É importante compreender que, por uma questão simples de termodinâmica, não há como a produção de alimentos de origem animal ser mais econômica do que a produção de alimentos de origem vegetal pois há, necessariamente, perda de energia quando esta é transferida de um nível trófico para o outro”
  • “Os autores pressupõem perdas na produção de alimentos vegetais substancialmente maiores do que as perdas na produção de alimentos de origem animal, ainda que os animais tenham sido alimentados com cultivos vegetais”

Fabio Chaves, do Vista-se, escreve:

Não ficaremos surpresos se, em breve, um outro estudo nessa linha de raciocínio concluir o seguinte: “Caminhar é mais prejudicial à saúde do que andar de carro”. Para chegar a essa manchete, bastaria considerar a distância entre Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e Fortaleza, a capital do Ceará. Os 4.000 km de distância poderiam ser percorridos de carro e de forma tranquila em 7 dias, parando para dormir e conhecendo outras cidades. Já caminhando, seriam 32 dias andando dia e noite sem parar. É fácil concluir, dessa forma, o que seria mais prejudicial à saúde.

No britânico IBTimes, o jornalista James Tennent, junto com India Ashok, escreve que há achados interessantes no estudo, como a confirmação de que frutos do mar, carne e laticínios são os mais danosos alimentos quando levado em consideração o aspecto ambiental; e que as pessoas simplesmente comem demais.

“É uma equação muito simples: se comêssemos menos, produziríamos menos e o impacto [ecológico] diminuiria”, escreve. “O estudo estima que o americano consome em média 200 mais calorias do que o recomendado. Comer menos não só reduziria nossa pegada de carbono, mas também ajudaria com outras questões no mundo ocidental, como a epidemia de obesidade.”

Fora isso, Tennent levanta a questão de que os governos deveriam criar diretrizes alimentares levando em consideração não só a saúde, mas também o ambiente.

Leia também: Grupo britânico demanda redução no consumo de carne para frear aquecimento global

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